O seu Trabalho e a sua Identidade – Tempo para se reinventar?

Quando um familiar chegou ao fim da sua carreira um pouco mais cedo do que estava à espera, caiu numa depressão profunda. De um dia para outro, perdeu a vontade de fazer qualquer atividade, mesmo aquelas que fazia no fim-de-semana com muito prazer, como andar de mota. A situação continuou assim durante alguns meses, até ele concordar em fazer terapia para poder lidar melhor com esta situação. Aos poucos ganhou a força de redesenhar a sua vida com um novo sentido, mas foi um processo duro que demorou alguns anos.

Aquela experiência marcou-me bastante, pois fiquei triste por ver como a entrada nesta nova fase da vida não lhe gerou a alegria que devia. Mas aprendi algo muito importante nessa altura, que é a importância de saber o que realmente dava (e dá) sentido à minha vida e como operacionalizar isto.

Confesso, tal como para muitas pessoas, o meu trabalho é algo que ocupa um lugar bastante importante na minha vida. Não é apenas uma fonte de rendimento, mas uma fonte de realização, inspiração e energia (a ordem depende dos dias!).

Ao mesmo tempo sempre foi muito claro para mim que não é só o trabalho que me dá essa realização e que define a minha identidade. Quando cheguei em Portugal e vi as horas que as pessoas passavam no seu emprego, realizei-me que não era isto que queria. Muitos anos mais tarde criei o meu negócio próprio para poder gerir melhor o meu tempo, para o tempo ser um espelho daquilo que é a minha identidade.

Para quem está nesta reflexão neste momento porque quer ou tem que mudar de emprego, ou porque está à procura de um melhor equilíbrio entre a vida pessoal ou simplesmente porque dá demasiada importância ao seu trabalho, partilho aqui algumas dicas que ajudam a mim a não descarrilar do meu caminho:

– Conheça a sim mesmo, começando pelos os seus valores. Muitas das nossas ansiedades e esgotamentos acontecem porque aquilo que fazemos não está alinhado com os nossos valores e princípios. Faça uma lista dos valores mais importantes para si e selecione cinco. Destes cinco valores, como os praticam no seu dia-a-dia? Se não consegue dar uma resposta clara ou até não consegue evidenciar, há algo que precisa de fazer de forma diferente na sua vida e/ou trabalho. É um dos exercícios que faço com os meus clientes e muitos deles percebem depois porque não estão tão felizes como poderiam estar.

– Como descreve-se a si mesmo? A sua marca pessoal é um reflexo daquilo que é verdadeiramente? Quando tem que apresentar-se a alguém, começa logo pelo seu título de trabalho ou indica outros substantivos? Como se descreve a nível mental/intelectual, a nível emocional (o que lhe move) e a nível de ação (aquilo que gosta mais de fazer)?

Pode também pedir esse feedback a pessoas que o conhecem bem e que são capazes de dar um feedback aberto e honesto.

– Ter hobbies não só é bom para poder desligar-se do seu trabalho, eles podem ser uma fonte de criatividade e inspiração para muitas áreas da sua vida, incluindo o seu trabalho. Desenhar e fotografar são atividades que dão-me muito prazer, ajudam-me esquecer tudo à minha volta e estar no aqui e agora, sem pressas. Estas atividades treinam também a minha criatividade e olho pelo detalhe, o que são certamente vantagens para o meu trabalho.

– Faça essa pergunta: Faria o seu trabalho na mesma se não fosse pago? Claro que precisamos de dinheiro para viver, mas a resposta indica se está no trabalho certo ou não. Há atividades que faço e que não geram dinheiro, mas não as abdicava pois dão-me imenso prazer. As sessões online semanais que tenho realizado, são de participação gratuita. Faço-as com muito prazer, porque sei que são uma fonte de inspiração e entreajuda para muitas pessoas e isto deixa-me feliz. A mesma coisa aplica-se no trabalho de voluntariado que faço. Já há muitos anos estou envolvida em várias causas, que não só permitem partilhar o meu conhecimento e experiência com quem precisa, como tenho conhecido pessoas excecionais cujas histórias me comoveram muito.

– Seja um ‘lifelong learner’. Um estudo de McKinsey e a Nova SBE mostra a importância de continuar a aprender para nos mantermos relevantes e um número chocante de número de postos de trabalho que poderão desaparecer devido à transformação digital. Não sabemos como uma grande parte das funções vão ser no próximo futuro e algumas profissões do futuro ainda não existem hoje. Ter o gosto de aprender coisas novas, mas também saber aprender vão tornar-se essenciais para ficar na linha da frente. Há várias formas de podemos aprender algo novo. Além dos cursos formais que a empresa oferece, temos hoje em dia acesso a um mundo infinito de cursos nas várias plataformas mundiais online. Em muito pouco tempo aprendi como dinamizar sessões de formação e facilitação online e como configurar um curso de e-learning, competências que certamente me vão dar muito jeito neste novo ‘normal’.

– Pare, mas pare mesmo alguns instantes. Sente-se ou dê um passeio. Preste atenção à sua respiração e àquilo que pensa e sente. As respostas encontram-se muitas vezes aí!

A única constante na vida é a mudança e o que fez sentido há 10 anos pode não fazer sentido neste momento. Esta é uma boa altura de deixar aquilo que não lhe dá valor e satisfação para fazer espaço para novas fontes de energia e motivação. Ou como li algures: ‘We get to Marie Kondo the shit out of it all!’

Manon Rosenboom Alves

Founder & Managing Director Reinvent Yourself

mobile: +351 964481443

mail: manon.alves@reinventyourself.pt

site: www.reinventyourself.pt

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